Histórias e Memórias de uma Metrópole

No aniversário de SP, Museu Afro Brasil revela histórias e memórias da maior cidade da América Latina.

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“A 25 de Janeiro do Ano do Senhor de 1554 celebramos, em paupérrima e estreitíssima casinha, a primeira missa, no dia da conversão do Apóstolo São Paulo e, por isso, a ele dedicamos nossa casa.” Diz Padre Anchieta, em carta aos superiores da Companhia de Jesus, sobre a fundação de um pequeno colégio, nascedouro da maior cidade da América Latina, e uma das maiores do mundo.

No aniversário de 461 anos de São Paulo, o Museu Afro Brasil, Instituição da Secretaria da Cultura do Estado de SP, empreende uma busca pela capital paulista, uma descoberta do que se fez, do que se produziu, do que se registrou, da passagem destes anos. Com abertura gratuita no dia 25 de janeiro, às 12h, a exposição “SÃO PAULO 461 – HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DE UMA METRÓPOLE” conduz essa arqueologia, por meio de fotografias, iconografias, esculturas, livros, pinturas, fantasias, vestidos, poemas, mapas, instalações e depoimentos. A mostra conta também a história do samba na cidade, com os shows dos músicos Cesinha Pivetta, Osvaldinho da Cuíca e Toinho Melodia.

No mesmo dia, o Museu Afro Brasil celebra ainda a aquisição da escultura Oxóssi, do artista plástico Carybé (1911-97), realizada pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo para o acervo da instituição. Feita na técnica de entalhe em madeira, a obra representa o orixá da caça, das matas, e irmão de Xangô. “Essa obra define não apenas aspectos históricos, mas também representa, de maneira iconográfica, esse deus caçador em todos seus atributos. Trata-se de uma obra de arte de suma importância para o acervo do Museu”, afirma Emanoel Araujo, diretor curatorial do Museu Afro Brasil.

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São Paulo – 461 anos
São Paulo passou de uma simples aldeia a uma das capitais do mundo. Para Emanoel Araujo a exposição junta o passado, presente e o futuro. Um passado que se fez primeiramente como uma vila e depois com seu esplendor dos belos prédios, de seus belos edifícios públicos e privados. “Hoje esta antropofagia fica ainda mais visível diante da sua grandiosidade e de quase seu esquecimento daqueles áureos tempos do café, das belas casas das grandes avenidas, das suas igrejas, dos seus conventos, das suas moradias senhoriais que já evocava o seu agitado e mutável cenário de grandes espigões da nova arquitetura que nascia da riqueza que brotava do seu grande solo”, afirma.

O mosaico da exposição é formado por telas dos pintores Massao Okinaka, Daniel Melim, Jacques Leclerc, Odetto Guersoni, Charles Pepford, Nilton Mesquita e Carolina Caliento, esculturas de Victor Brecheret, e imagens captadas pelos legendários German Lorca, Gaspar Gasparian, e outros fotógrafos anônimos. As fotografias revelam momentos históricos da cidade, a exemplo dos desfiles de carnaval na Avenida Paulista na década de 1930; flagrantes de ícones da cultura paulistana, como o escritor modernista Mário de Andrade.
A mostra apresenta também peças de vestuário produzidas por Maria Adelaide da Silva, obras com emblemas dos times de futebol da cidade, porcelanas do século XIX, mapas, iconografias e selos comemorativos, dentre outros objetos. A mostra é composta também de documentos sobre as transformações promovidas em São Paulo, no decorrer dos anos.

SHOWS
Outro aspecto abordado na exposição é a história do samba na cidade, uma resposta ao equivocado clichê de considerá-la “túmulo” do gênero musical. Em São Paulo, o samba teve origem no interior, no formato dos batuques, nas fazendas de café do século XIX, que recebiam levas de escravos da região do antigo Reino do Congo, África Central, trazendo suas danças em que a umbigada é o passo principal. Jongo, Batuque de Umbigada e Samba de Bumbo (chamado por Mário de Andrade de Samba Rural Paulista) solidificaram no ambiente rural e vieram para a capital na bagagem cultural dos migrantes negros que, após a abolição da escravidão, rumavam para a capital na esperança de encontrem melhores condições de vida. Pelas ruas da crescente e vibrante São Paulo, moldaram-se os batuques rurais às novas realidades do espaço urbano.

No dia da abertura, dois shows reúnem a nova e a velha guarda do samba paulistano. Às 12h, o cantor e compositorCesinha Pivetta apresenta um repertório de sambas que retratam a cidade de São Paulo, abordando o cotidiano e a cultura de nossa gente, além de obras autorais que fazem parte de seu primeiro CD: Nossa Bandeira (2014). O show terá participação especial do compositor Osvaldinho da Cuíca, ícone do samba paulistano.

Outro representante da velha guarda, Toinho Melodia se apresentará, às 13h ao lado do Conjunto Picafumo. Pernambucano radicado em São Paulo há mais de cinquenta anos, Toinho faz o diálogo entre o rural e o urbano, o migrante e o local, o tradicional e o novo em um repertório 100% autoral. Letra e melodia apuradas contam a sua história e a da própria cidade, um samba autêntico temperado com doses de coco e baião.

SERVIÇO:
“SÃO PAULO 461 – HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DE UMA METRÓPOLE”
ABERTURA: 25 DE JANEIRO, 12h
Museu Afro Brasil
Av. Pedro Álvares Cabral, s/n
Parque Ibirapuera – Portão 10
São Paulo / SP – 04094 050
Fone: 55 11 3320-8900
www.museuafrobrasil.org.br
Informações para a imprensa – Museu Afro Brasil
Gabriel Cruz: 3320-8940 – gabriel.cruz@museuafrobrasil.org.br
Neto Correa: 3320-8940 – neto.corre@museuafrobrasil.org.br
Informações para a imprensa – Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo
Jamille Menezes – (11) 3339 8283 – jmferreira@sp.gov.br
Renata Beltrão – (11) 3339 8164 – rmbeltrao@sp.gov.br

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